• Silvio Bianchi

Emoções que ajudam a determinar seus propósitos

Algumas semanas atrás publicamos a matéria “Passos para realizar seus propósitos”. Se não leu, vale a pena ler antes de continuar. Nesta matéria conversamos um pouco sobre os passos básicos para realizar seus propósitos.


Saber para onde ir (propósitos), saber onde se está (hoje), avaliar os possíveis caminhos para chegar, se preparar para essa jornada, cuidar dos recursos (antes, durante e depois), fazem parte desse processo. Será que está faltando alguma outra coisa?

Foto: Robin Higgins por Pixabay


Quando vamos viajar de carro e queremos reduzir ao mínimo surpresas desagradáveis fazemos uma revisão, certo? Levamos o carro a uma oficina de confiança para que eles verifiquem o estado dos pneus, radiador, óleo, suspensão, freios etc. Aí sim estaremos em condições de fazer uma viagem com menos percalços.


A viagem para determinar os propósitos também precisa da revisão prévia de partes importantes do veículo que o levará até lá: você! Hoje vamos conversar sobre um componente muito importante: as emoções!


Para compreendermos o que é uma emoção e diferenciá-la dos sentimentos, vou recorrer a dois neurocientistas reconhecidos: António Damásio[1] e Pedro Calabrez[2]


Emoção: Conjunto de ações inconscientes programadas para nossa sobrevivência. Sentimento: Experiência mental (consciente) sobre o que está passando no corpo. Quando uma emoção fica consciente, se transforma em sentimento.


Emoções positivas: geram comportamentos de aproximação. Emoções negativas: geram comportamentos de afastamento.


Em “Passos para realizar seus propósitos” já fiz referência à dificuldade do nosso cérebro para criar vínculos emocionais com acontecimentos futuros. Em termos muito simplificados, isto significa que não dispomos de um conjunto de ações predeterminadas para alcançarmos propósitos futuros distantes no tempo.


Além da falta de vínculo emocional, podemos agregar mais um ingrediente que pode atrapalhar o exercício de determinar seus propósitos: falta de força de vontade para superar as “tentações do presente”.


Como fazer, então, para gerar emoções positivas que nos aproximem aos nossos propósitos após tê-los identificado, descrito, saber quais recursos precisaremos e decidido quando queremos que isso aconteça?


Vou recorrer a um outro autor que irá nos ajudar neste processo: Dan Ariely[3].


- Tirar uma foto de nós (ou do grupo vinculado a esse propósito) e utilizar um programa para envelhecê-la. Facilita a conexão com o futuro, pois o cérebro está “enxergando” esse futuro.


- Escrever uma carta para você no futuro, relatando o que você fará para chegar até lá.


- Escrever uma promessa para você mesmo ou para o grupo vinculado a esse propósito, oferecendo o presente que os ajudará para seu sustendo até os 100 anos (por exemplo).


- Contrato de Ulisses[4], que lhe ajudará a evitar as tentações do presente que vão contra dos seus propósitos. Por exemplo, contratar uma previdência privada automática (desconto automático no seu salário). Esta resolução pode ser complementada com uma cláusula de “pouparei mais no futuro”, pela qual, cada vez que receber um aumento na sua renda, você elevará o valor mensal em (por exemplo) 5% do aumento real.


Nós somos seres emocionais e, portanto, irracionais, tentando raciocinar. Mas não todo está perdido, ao contrário, o importante é ficarmos cientes desta situação e agirmos.


No BEM Financeiro criamos o Programa de Liberdade Financeira para ajudar às pessoas a alcançarem seus propósitos.

--- Silvio Bianchi é Pós-graduado em Educação e Coaching Financeiro, Contador Público, Master Coach, Coach Financeiro, Treinador e Palestrante. Cofundador de Bem Financeiro – Desenvolvimento em Finanças, responsável pelo escritório em São José dos Campos.


[1] António Damásio: A diferença entre emoção e sentimento (https://www.youtube.com/watch?v=2COAN5Y6S9U) [2] Pedro Calabrez: O que são emoções e sentimentos? (https://www.youtube.com/watch?v=SUAQeBKiQk0) [3] Dan Ariely e Jeff Kreisler: A psicologia do dinheiro (Ed. Sextante – versão kindle) [4] Na sua formulação mais simples, trata-se de um contrato que visa prevenir inconsistências volitivas do beneficiário, evitando que dessas inconsistências possam resultar lesões do interesse dele – um interesse formulado no presente, mas projetado no futuro. (Ulisses pede para ser atado ao mastro do barco para não ceder ao canto das sereias). Fernando Araújo: O CONTRATO ULISSES – I: O PACTO ANTIPSICÓTICO (http://www.cidp.pt/revistas/rjlb/2017/2/2017_02_0165_0217.pdf, acessado no dia 2 de agosto de 2020).

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