• Silvio Bianchi

Infidelidade financeira, existe?

“Eu sempre suspeitei de que havia alguma coisa a mais, mas a realidade foi muito pior do que minhas suspeitas”. Essa afirmação veio à tona durante uma sessão de Coaching Financeiro com um casal. Eles estavam decididos a sair do endividamento gerado pelo descontrole nas despesas.


A administração das finanças familiares até esse momento, mesmo que mal geridas, não gerava nenhum atrito no relacionamento deles. Um administrava e o outro ficava “numa boa”, sem saber muito para onde ia o dinheiro e nem sequer perguntando, ainda sendo o maior contribuinte para bancar as despesas do casal. Porém, o descontrole somado ao "eu quero já" levou à traição financeira.


A traição aconteceu da seguinte maneira: um deles – o desinformado – achava que o carro estava quitado, pois tinha terminado de pagar o parcelamento combinado quando foi comprado. Porém, quem administrava as finanças familiares decidiu que, dado que o dinheiro não ia alcançar para fazer aquela “viagem sonhada”, utilizaria o carro como garantia de um empréstimo pessoal para poder viajar. O carro do casal estava no nome do “administrador” das finanças familiares e o “desinformado” nunca foi consultado por essa decisão.


O drama começou quando aconteceu um atraso no pagamento das parcelas combinadas e chegou uma carta de aviso de penhora do carro, que foi aberta por quem não estava sabendo da situação. Gritos, recriminações, ameaças de separação, prantos e aquela frase “eu sempre confiei em você!”, acompanhada da “se você me mentiu com isso, quantas coisas mais eu não conheço?”, entre outras.


Este tipo de infidelidade pode abalar um relacionamento quase tanto quanto a infidelidade sexual.


Como evitar que isso aconteça?

1) Transparência: os assuntos financeiros da família devem ser discutidos por todos os integrantes da família, e isso inclui os filhos!


2) Objetivos familiares e individuais: quais são os objetivos (projetos/sonhos) da família (a serem alcançados por todos) e os individuais? Todos deveriam ter objetivos de curto, médio e longo prazo. Quanto custa cada objetivo? Quanto irão poupar por mês para alcançá-lo? Em quanto tempo desejam alcançar cada um? Dividir os sonhos e anseios gera união, camaradaria, foco e apoio mútuo;


3) Quais são os rendimentos líquidos da família (o dinheiro que é depositado na conta bancária) e quais são as despesas mensais (em que se gasta e quanto); quanto somam as parcelas mensais de endividamentos já contraídos?


4) Planejamento: o orçamento mensal será o guia para alcançar esses objetivos, pagar as dívidas e não mais se endividar novamente. Priorizar as despesas, conhecendo todas elas, permite escolher quais serão reduzidas. Dessa forma, resta aplicar esse dinheiro para reduzir as dívidas (se houverem) e para alcançar os sonhos;


5) Poupar: poupar tem um efeito mágico: os juros ao seu favor ajudam a alcançar os objetivos num prazo menor!


Tudo isso funcionará se existir um diálogo aberto acerca dos assuntos financeiros e nada “escondido dentro do armário”!


Os pilares do BEM Financeiro foram desenhados para que o controle das finanças seja um alicerce da harmonia familiar.


Dividam as responsabilidades e as informações, sonhem juntos, planejem e sejam felizes!

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