• Silvio Bianchi

Mulher: Dicas para seu BEM-estar

Atualizado: Mar 18

Hoje celebramos mais um Dia Internacional da Mulher e minha singela homenagem focará na história de uma cliente e seus aprendizados.




imagem: pixabay


Uma crença bastante difundida é de que a mulher gasta mais do que o homem. Pesquisas estudando o “consumo por impulso” mostraram que a porcentagem de mulheres que consomem por impulso é levemente superior à dos homens, mas nada significativo. A explicação simplista deste fato baseia-se em que a mulher é mais emocional e que o homem é mais racional. Só que não! “A razão é escrava da emoção e existe para racionalizar a experiência emocional” (Wilfred Bion, 1970). Todos somos seres emocionais e ... irracionais!


Nossa experiência profissional mostra que a grande maioria das consultas recebidas são de mulheres e são elas as que, geralmente, convencem seus cônjuges a participarem de um processo para aprimorar a gestão dos recursos familiares.


A procura de informações, cursos e coaching financeiro por mulheres tem aumentado substancialmente. Isto se deve ao fato de que, além de ficarem mais cientes dos desafios de equilibrar o orçamento familiar sem ter que recorrer ao crédito, muitas estão enfrentando o desafio adicional de serem as principais provedoras de recursos para a família. Assim, é importante que elas tenham conhecimentos e ferramentas de educação financeira para aprender a equilibrar os seus sonhos, particulares, e os de todos da família.

Uma história real

Elisa (nome fictício) zela pelo bem-estar da família em todos os sentidos. Cuida da casa, dos filhos, do marido e separa um tempo para participar em um projeto social que lhe gera uma pequena renda. Os recursos financeiros para sustentar o grupo vêm do marido, que trabalha numa fábrica da região, e o “dinheirinho” dela é utilizado para “satisfazer os desejos da família”.


Ela é a responsável por administrar o dinheiro que o marido lhe repassa e tenta equilibrar as “entradas e saídas de dinheiro” privilegiando a harmonia do lar. Quando o dinheiro não é suficiente, ela “se vira” fazendo empréstimos consignados ou utilizando “seu cartão de crédito”.


Para não preocupar ao marido “que sempre está resolvendo problemas no serviço” e que “não pergunta muito sobre como estão as finanças da família”, ela sempre fala que “tudo está sob controle”.


O tempo transcorre, as parcelas se acumulam e chega o momento em que todo o dinheiro que entra na sua conta sai imediatamente para pagar as prestações de compras já feitas.


Um sinal de alerta de que as coisas não estavam tão sob controle foi a pergunta de um dos filhos sobre os presentes de Natal e a semana de férias no mês de janeiro. Seu coração se apertou ao pensar que deveria falar que não iriam sair de férias, pois estava ciente de que não tinham recursos, mas respondeu “estou avaliando o que faremos”.


Correu para falar com a gerente do banco e ela lhe responde que não tinha espaço para mais crédito. Porém, ela lhe diz, “você não tem um bem quitado para colocar como garantia e assim obter esse empréstimo?”.


Acontece que acabavam de quitar o carro e ... estava no seu nome!!! Aí, sentindo esse “frio na barriga”, ela decide penhorar o carro e utilizar esse dinheiro para os presentes de Natal e as férias.


Logicamente, não contou para ninguém dessa nova dívida pois ela acreditou que, mais uma vez, “daria um jeito”. Assim, a família teve presentes de Natal e suas merecidas férias.


Voltaram das férias e ela conseguiu fazer malabares para pagar as duas primeiras parcelas do novo crédito. Porém, ao vencer a terceira parcela, não achou forma alguma para pagar. Pensou que atrasar uma parcela não seria muito problema e que nos meses seguintes conseguiria.


Mas não conseguiu, e as cartas com o aviso de conta em atraso começaram a chegar.

Para evitar que o marido soubesse e ficasse estressado, ela combinou com o carteiro de que as cartas somente seriam entregues nas mãos dela. Assim aconteceu por um tempo. Porém, sua mãe adoeceu e ela precisou viajar para acompanhá-la.


Nesse período, as cartas continuaram chegando e quem lia era o marido. Dentre toda essa correspondência, tinha uma carta com o AVISO DE PENHORA do carro por causa do atraso no pagamento das parcelas. Aí o mundo desabou!


Ao retorno da sua viagem, seu marido estava aguardando-a com o aviso de penhora na mão e falando que iniciaria o pedido de divórcio, que ficaria com a custódia das crianças. O marido se sentiu enganado, porque “após todo o esforço para quitar o carro, você o penhora para fazer uma dívida!”. Somente que ele não sabia que essa dívida foi feita para bancar os presentes de final do ano e as férias que todos desfrutaram.


O desfecho foi complicado, mas com final feliz. Após chorar bastante, ela me contatou e juntos avaliamos a situação. Ela percebeu que “herói é somente nos quadrinhos e nos filmes”, concluiu que ela errou ao fazer tudo sozinha e não pedir a ajuda do marido, que se endividar para consumos de curto prazo traz muitas complicações e que penhorar um bem (dívida de médio/longo prazo) para bancar consumos de curto prazo não é adequado.


Ela conversou com o marido, avaliaram a situação com menos emoção, priorizaram o que era realmente importante para eles e sua família, fizeram as contas, planejaram como resolver e decidiram agregar o tema financeiro à união de corpo e alma.

Fizeram juntos o processo de educação e planejamento financeiro e ... vivem felizes!

Por que tudo isso aconteceu?

Esta história, estilo “novela das oito”, é mais comum do que se pode imaginar. Mas vamos avaliar as causas:


- Dissonância Cognitiva. Significa que, ao avaliar a situação, suas soluções e consequências, se ignoram as opções indesejadas. Assim, somente foca nos benefícios e não considera os riscos.


- Confiança excessiva. “O futuro será melhor!”, não ajuda a avaliar corretamente os impactos negativos futuros da ação realizada no presente.


- Peso emocional maior do que o peso financeiro. O argumento “felicidade da família” pesou muito mais do que uma avaliação fria da situação e das consequências de uma nova dívida.


- Aversão à perda, não ao risco. Você já deve ter ouvido falar “pela família eu faço qualquer coisa!”. Significa que a pessoa está disposta a enfrentar riscos, provavelmente, sem avaliá-los. Nosso cérebro tem aversão às perdas, pois perder pode significar risco de vida e o objetivo do nosso cérebro é a nossa supervivência. Isto significa que, para evitar uma perda pode se aceitar um risco que pode acarretar uma perda maior.

Como evitar repetir a história de Elisa?

- Dialogar sobre as finanças em família. Não adianta uma pessoa ficar responsável pela gestão dos recursos e os demais somente reclamam ou pedem. O tema financeiro deve ser resolvido em família e a transparência (sem heroínas) é fundamental.


- Mapeie seu futuro. O que a família como um todo e cada membro deseja alcançar? Propósitos claros permitem conhecer para onde se dirigem. Lembre-se de que se não houver um destino claro (objetivo), qualquer caminho funciona!


- Cuide seu patrimônio. O conceito de patrimônio vai muito além da fórmula “Ativo - Passivo”. Na família, o patrimônio também inclui o relacionamento familiar e a boa comunicação. Se fosse correr uma maratona, alcança com um bom treinamento, uma boa alimentação e bastante água durante a corrida? Não! Também será importante ter feito um bom planejamento, dosar os esforços durante a corrida e um bom equilíbrio emocional. Na família, também!


- Cuide-se. Culturalmente, a mulher tem sido condicionada a cuidar de e se doar para a família, relegando-se a um segundo plano. Isto já tem mudado bastante, mas os resquícios ainda estão presentes.


A questão das mulheres sonharem para os objetivos delas deve ser alimentada, pois o que se observa é que grande parte abdica dos próprios sonhos em troca das vontades da família, e isso é um erro, porque mesmo com todos os afazeres é fundamental que se possa realizar objetivos individuais, sejam eles quais forem.


Não se esqueça: Seu maior poder é ser você!


--- Silvio Bianchi é Pós-graduado em Educação e Coaching Financeiro, Contador Público, Master Coach, Coach Financeiro, Treinador e Palestrante. Cofundador de Bem Financeiro – Desenvolvimento em Finanças, responsável pelo escritório em São José dos Campos.

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