• Silvio Bianchi

Como mudar minha vida financeira?

“Não sei o que mais fazer! Decidi não usar mais o cartão, mas não paro de pensar nas oportunidades que perco!” (fala de um cliente na sessão)


Imagem: Gerd Altmann por Pixabay


As pessoas associam sua vida financeira ao processo que consiste em: obter recursos financeiros, consumir, pagar, seguido de: obter mais recursos financeiros, consumir, pagar... repetido “ad aeternum” (de forma indefinida). Isso é vida?


Conversando com uma cliente durante uma sessão, ela me falou: “pesquisei no dicionário o significado da palavra vida: ‘espaço de tempo compreendido entre o nascimento e a morte do ser humano' [1] e fiquei com uma dúvida: se quando a vida acaba chega a morte, quando o dinheiro acaba, chega a morte financeira?


Engoli seco, respirei fundo e respondi: “quando falamos de seres vivos, vida é o intervalo entre o nascimento e a morte, porém, quando nos referimos a objetos, a palavra vida faz referência à duração desse objeto (vida útil). Assim, quando o liquidificador para de funcionar, poderíamos dizer que ‘morreu’’’.


E continuei: “Quando falamos do recurso dinheiro, não nos referimos à duração (vida útil) da nota ou moeda, mas a forma de como se administra uma certa quantidade recebida. Chamamos de vida financeira, num determinado período, ao ciclo de receber e gastar o recurso dinheiro. Quando BEM administrado, se gasta menos do que se recebe e isso se denomina como ‘ter uma vida financeira saudável’”.


Portanto, mudar de vida financeira significa gerir seu recurso dinheiro de forma diferente do que fez até o momento. Se continuar fazendo da mesma forma, certamente o dinheiro vai acabar.


Como fazer o dinheiro durar?

Para o dinheiro durar é preciso gastar menos do que se recebe, o que resulta bastante evidente. A pergunta que todos se fazem é: como fazer?


Temos duas abordagens: pelo lado dos recursos ou pelo lado das despesas.


Do ponto de vista dos recursos, o ideal é que, com o passar do tempo, os rendimentos cresçam. Portanto, estas recomendações visam focar no aumento desses rendimentos.


- Se for empreendedor: verifique a aceitação do seu produto/serviço no mercado, cuide dos custos fixos e variáveis da empresa, mantenha separadas as despesas do empreendimento das despesas pessoais, cuide da divulgação dos seus produtos ou serviços, faça networking, muito cuidado com as retiradas pessoais, cuide da saúde financeira dos seus colaboradores.


- Se for assalariado: seu bom desempenho será a base para obter promoções e melhoras salariais. Procure ampliar seus conhecimentos na área em que desempenha suas funções, mantenha um bom relacionamento com todos seus colegas (superiores, pares e subordinados), não se esqueça da fórmula do sucesso: CHA (Conhecimento, Habilidade e Atitude), fique à par das oportunidades que oferece o mercado de trabalho para sua especialidade.


Do ponto de vista dos gastos, independente do montante que recebe todos os meses, ter uma boa vida financeira dependerá de como você gasta o que recebe. Sendo assim, vamos abordar os pontos mais importantes para ter uma vida financeira com qualidade:


- Planeje seu orçamento todos os meses. Para gastar menos do que recebe, é básico conhecer detalhadamente, quanto está gastando e em que está gastando. Feito isso, organize suas despesas mensais de forma que não superem seus rendimentos líquidos.


- Cuidado com o cartão de crédito. Comprar digitando a senha do cartão é muito bom, pois não sentimos o desconforto de pagar com dinheiro. Porém, aí é onde mora o perigo! Se não tiver um bom controle financeiro ou fizer compras por impulso, melhor deixar o cartão fora de circulação até você ficar no controle da situação.


- Cuidado com os limites do cartão de crédito. Os bancos e financeiras oferecem limites que ultrapassam largamente seus rendimentos líquidos. Se não for bem controlado (muito bem controlado), a soma dos limites de seus cartões não deveria ultrapassar 50% dos seus rendimentos líquidos. Para que ter um limite maior se, de todas formas, não vai poder pagar a fatura?


- Cuidado com os cartões de lojas e os crediários. Assim como o cartão de crédito, facilitam a compra sem dor. E são anestésicos tarja preta!


- Cuidado com as compras parceladas. Além de não “doer”, jogam os pagamentos para o futuro, facilitando o esquecimento da compra. Não esqueça que as parcelas mensais devem caber no orçamento!


- Cuidado com as promoções, os descontos especiais, as parcelas a perder de vista e, principalmente, com as tentações do “eu quero”, “eu quero já” e “eu mereço”. Facilitam muito as compras por impulso!


- Não se esqueça da “formula da vida financeira feliz”: Rendimentos líquidos (-) Despesas + Fatura do cartão + Parcelas (-) Reserva para imprevistos _____________________________________________ O RESULTADO DEVE SER POSITIVO =================================


- Se for comprar parcelado, a vida útil do bem o serviço comprado deve ser maior do que o prazo de pagamento. Não adianta ter que pensar em repor um bem, ou contratar o mesmo serviço novamente, e ainda ter que continuar pagando a compra anterior.


- Tenha objetivos de curto, médio e longo prazo que sejam importantes para você. Esses objetivos lhe ajudarão a dizer não às compras por impulso.


- Antes de decidir a compra, se pergunte: quero ou preciso disto? Se a resposta for “eu quero”, deixe passar 24 horas e se questione novamente. Se o sim ainda continua presente, confira que a compra caiba no seu orçamento atual e, se for parcelar o pagamento, as parcelas também devem caber nos futuros.


O segredo para mudar sua vida financeira é incorporar hábitos que ajudem a manter o equilíbrio financeiro, gastando menos do que recebe.


Para fazer diferente, é importante conhecer o que está fazendo e mudar aqueles hábitos que não ajudam. Se reconhecer o que está fazendo e por que, de forma lenta, mas segura, vai adquirir a habilidade de mudar sua tomada de decisões para melhor.


Se precisar da ajuda de profissionais experientes para mudar a sua vida financeira, pode contar conosco. Seu BEM é o nosso plano!


--- Silvio Bianchi é Pós-graduado em Educação e Coaching Financeiro, Contador Público, Master Coach, Coach Financeiro, Treinador e Palestrante. Cofundador de BEM Financeiro – Desenvolvimento em Finanças, responsável pelo escritório em São José dos Campos.

[1] DIC Michaelis Escolar – versão 2.0 (Editora Melhoramentos – agosto de 2002)

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