• Adenias Filho

Como evitar dívidas mudando seu modelo mental financeiro


Kevin Schneider por Pixabay


Crescemos observando os hábitos de nossos familiares, absorvendo ensinamentos, conceitos e desenvolvendo crenças que poderão impactar e moldar nossas vidas em várias dimensões no futuro.


Neste artigo vamos abordar alguns de nossos desejos cultivados por exemplos de pais, amigos e familiares quando nos referimos a geração de patrimônio que, do ponto de vista financeiro, podem ser considerados como ativos ou passivos, tudo depende da utilidade que damos aos nossos bens adquiridos.


Do ponto de vista financeiro, ativo deriva da alocação de recursos de maneira que se tenha algum retorno esperado, contrário senso, passivo refere-se à alocação de recursos para aquisição de bens, porém geradores de gastos contínuos. Como exemplo para o nosso tema em pauta, citamos a casa própria onde moramos ou o carro, ambos adquiridos por meio de financiamentos de longo prazo, sem nos darmos conta de que estamos pagando por duas ou mais vezes do valor do bem.


A expressão popular “quem casa quer casa” faz parte daqueles aprendizados de infância de que ter um imóvel próprio nos traz segurança e tranquilidade, porém quando adquirido por meio de financiamento de longo prazo, 360 meses (30 anos), por exemplo, o que, em princípio, nos enche de satisfação e alegria poderá se tornar em uma grande dor de cabeça no futuro. O que vale mais a pena, comprar financiado nessas condições ou alugar? Eis a questão.


Num prazo tão longo, podemos destacar alguns aspectos que deverão ser levados em conta para a tomada de decisão.


· Taxa de juros e despesas acessórias, o que encarece o financiamento;

· Valor da entrada em torno de 20% a 30% do valor do imóvel;

· Localização ou região poderá sofrer transformações que desvalorizem o imóvel;

· Renda não acompanhar a evolução dos ajustes da prestação do financiamento;

· Família crescer sem planejamento, com elevação dos gastos gerando dificuldade para honrar a prestação;

· Baixa liquidez para venda imediata;

· Dificuldade para transferir o contrato por um preço justo com relação ao valor já investido;

· Dificuldade de encontrar um comprador que preencha os requisitos exigidos pela Instituição financeira;

· Perda da liberdade financeira por estar comprometido num longo período.

Imagine-se pagando um aluguel de valor correspondente a aproximadamente 50% do valor da prestação e os outros 50% sendo religiosamente investidos por determinado tempo.


Aprenda a fazer o dinheiro a trabalhar para você e não você para ele.


A equação do endividamento seria bem resolvida, pois, poderia ser possível dar de entrada substancial importância, financiando uma pequena parte e, em pouco tempo, quitar a dívida, possibilitando vender esse imóvel e adquirindo outro em melhores condições e mais bem valorizado.


“Quem casa quer casa” e “Pagar aluguel é jogar dinheiro no lixo” continuam a ser bons conselhos? Ou é melhor pensar mais um pouco a respeito e planejar melhor o futuro? ¹

A aquisição de um veículo ou da casa própria faz parte do imaginário de muitas famílias e ativam nossas emoções só de pensar no Ter, deixando a racionalidade em segundo plano também.


Para toda e qualquer compra financiada é comum olharmos apenas para o valor da parcela sem dimensionarmos o quantitativo de “parcelinhas” que estamos acumulando por meio de carnês e por outros meios de pagamento usuais, não sendo levado em consideração, no caso de veículos os seguintes aspectos:


· Taxas de juros e custos assessórios;

· Seguro obrigatório do financiamento;

· Depreciação anual do veículo (perda de valor por uso);

· Seguro obrigatório no licenciamento;

· Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA);

· Emplacamento;

· Revisões;

· Gastos imprevistos (pneus ou rodas danificadas pelas péssimas condições das vias públicas)

· Combustível e manutenção;

· Lavagem;

· Estacionamento;

· Multas.

Vale destacar que, tanto para o financiamento de imóvel quanto para veículos, a formulação do financiamento pressupõe, por um longo período, o pagamento da maior parte de juros e pequeno valor de amortização do principal, o que impactará em grandes perdas financeiras caso tenha necessidade de vender o veículo para quitar a dívida, pois ao longo do tempo o veículo perdeu razoável valor e o saldo devedor continuará elevado.


Nos financiamentos de bens imóveis e veículos, pouca liberdade transacional é viabilizada em função do bem configurar a garantia do empréstimo, sendo oportuno, nestas situações, avaliar a tomada de empréstimo sem garantia para adquirir o bem à vista, porém sem deixar de considerar todos os aspectos já mencionados. O ideal é sempre poupar e negociar com o dinheiro em mãos e obter maiores vantagens.


Aspectos relevantes sobre alternativas de transporte devem ser consideradas também antes de pensar na aquisição de um veículo financiado, avaliando a utilização do transporte público, serviços oferecidos por aplicativos, aluguel temporário e até assinatura anual de automóvel.


Não podemos deixar de considerar que sempre no início de cada ano as despesas familiares são de grande monta, com o pagamento de IPTU, matrícula de escola e material escolar, e o IPVA e/ou seguro do veículo, elevando o risco de endividamento, quando um bom planejamento financeiro é deixado de lado.


Reformular a maneira de como cuidamos do dinheiro para tirar o maior benefício dele, principia de nossos pensamentos, que geram sentimentos que nos move para a ação, tendo como consequência, resultados extraordinários.


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¹Dívidas? Tô fora! (Gotlib, Ronaldo – Ed. Gotlib, 2019)


Autor: Adenias Filho

Cofundador do BEM Financeiro - Desenvolvimento em Finanças. Formado em Administração de Empresas, Pós-graduado pela FGV-RJ, IBMEC em Finanças Corporativa e Amana-Key em Gestão Empresarial. Consultor Financeiro e Palestrante, responsável pelo escritório do BEM Financeiro no Rio de Janeiro.

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